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JUN
11
11 JUN 2015
ADMINISTRAÇÃO
150 anos da vitória da Batalha Naval do Riachuelo é comemorada com solenidade
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Conhecida como a Data Magna da Marinha, a Batalha Naval do Riachuelo comemora nesta quinta-feira, 11 de junho, 150 anos de vitória da Guerra contra o Paraguai. Em alusão a esse marco, o Comando do 6º Distrito Naval, realizou uma solenidade cívico-militar em frente ao pórtico, um dos cartões postais da cidade de Ladário.

Durante a cerimônia que contou com a presença do prefeito José Antonio Assad e Faria que junto com o contra-almirante Petrônio Augusto Siqueira de Aguiar, fez revista a tropa, houve também a entrega de medalhas aos militares homenageados por realizar  ações que colaboraram com a Marinha do Brasil, desfile da tropa em frente ao palanque das autoridades, bem como disparos de canhão, sobrevoo de helicópteros e a repetição do hasteamento de bandeiras, realizada no dia da conquista.

Além da vitória do Brasil numa guerra importante, aqui para nós representou a potencialidade econômica da livre navegação da nossa hidrovia, representou o fortalecimento da presença brasileira nesse território e as potencialidades econômicas que decorrem daí. A presença da Marinha representa para nós, além da segurança, o fator muito preponderante na economia e na qualidade de vida do nosso povo, o prefeito da cidade tem todos os motivos para estar aqui, enfatizou o prefeito José Antonio.

Autoridades civis, judiciárias, legislativas, a população e alunos da Escola Municipal Eduardo Malhado estiveram presentes ao evento. Estou encantada com tudo, é um evento muito bonito adorei ver os helicópteros, vou contar tudo aos meus pais quando eu chegar em casa, disse entusiasmada a pequena, Clara.   

Para o contra-almirante Petrônio Augusto Siqueira de Aguiar, comandante do 6º DN, a data merece ser comemorada, pois se trata de uma grande vitória que mudaria todo o contexto da história do País, São vários os motivos porque devemos comemorar primeiro vêm às razões históricas, onde lutamos com todo amor por nossa pátria para que a guerra fosse ganha, também tem o detalhe que talvez se não fosse assim, a nossa cidade vizinha Corumbá, não seria uma cidade brasileira. Outro forte motivo de comemoração é a parte social que a Marinha desenvolve, possibilitando a interação com a população, gerando benefícios e satisfação para todos, disse.

As atividades alusivas à data tiveram inicio na semana passada e serão encerradas no dia 21 de junho, a partir das 08 horas com a tradicional Corrida Rústica que terá como partida e chegada o pórtico do Comando do 6º DN.

Ordem do Dia Eduardo Bacellar Leal Ferreira- Almirante-de-Esquadra/ Comandante da Marinha

Assunto: 150º Aniversário da Batalha Naval do Riachuelo  Data Magna da Marinha



Em 1865, a jovem Nação brasileira, ainda sob o regime imperial, experimentava a consolidação do sentimento de nacionalidade. No entorno geográfico, os recentes processos de independência conformavam movimentos de estabilização e de confrontos limítrofes. 



O Brasil atribuía muita importância à região do Rio da Prata, pois a livre navegação pelos seus grandes cursos d'água permitiam o acesso ao interior do País. A comunicação terrestre com a província de Mato Grosso era precária, reforçando a relevância do emprego dos rios Paraná e Paraguai para alcançá-la. 



Esse era o contexto ao eclodir a Guerra da Tríplice Aliança, maior conflito regional na história sulamericana, na qual a invasão de parte das Províncias de Mato Grosso e do Rio Grande do Sul serviu como estopim e gerou a necessidade de atuar militarmente para salvaguardar os interesses nacionais. 



A Batalha Naval do Riachuelo, ocorrida há exatos 150 anos, assinalou um momento capital no conflito, pois, ao garantir a liberdade de navegação nos rios Paraná, Paraguai e seus afluentes, permitiu que pudéssemos transportar, com segurança, soldados, artilharia e mantimentos, inviabilizando a ofensiva inimiga. 



A épica vitória de nossa Força-Tarefa deixou-nos um rico legado de exemplos que hoje, nesta comemoração cívica, devemos exaltar e cultuar. 



Exaltar e cultuar o exemplo de heroísmo do Chefe de Divisão Barroso! Oficial austero, com profundo senso de honra, cuja carreira foi, desde muito jovem, forjada a bordo dos navios e que soube, nos momentos decisivos da batalha, arrebatar seus subordinados. Sua ousadia e destemor, ao lançar seu Capitânia, a Fragata "Amazonas", contra as unidades inimigas em sucessivos golpes, afundando 3 navios, dissipou o fervor de luta dos demais. 



Exaltar e cultuar o exemplo de patriotismo do Guarda-Marinha Greenhalgh! Um jovem que, com 20 anos incompletos, lutou até a morte na defesa da Bandeira Nacional, símbolo do Império, símbolo de uma Nação ainda em formação, cujo caráter estava surgindo das águas ensanguentadas do Paraná. Enfrentou vários inimigos e acabou tombando, mas nosso Pavilhão não caiu. 



Exaltar e cultuar o exemplo de bravura do Marinheiro Marcílio Dias! Praça distinta que sucumbiu na defesa da canhoneira "Parnaíba". Seu barco, sua alma! Enfrentou vários inimigos, conseguindo abater dois, mas terrivelmente mutilado acabou falecendo no dia seguinte à batalha. Seu espírito nacionalista repousa sob as águas do Rio Paraná. 



Exaltar e cultuar o exemplo de arrojo dos combatentes embarcados! Nossa Esquadra, com seus Marinheiros e Soldados, inferiorizada pela surpresa, não esmoreceu ante a desvantagem inicial do combate e logrou incontestável vitória. Ao todo, em nossos 9 navios, computamos 104 mortos, 123 feridos e 20 perdidos no combate. Honrados brasileiros, pais de família, filhos queridos, marinheiros de Barroso que perderam suas vidas e, ao serem homenageados, devem tornar-se perenes no consciente nacional. 



A Batalha Naval do Riachuelo não pode ser considerada, contudo, como um episódio isolado, nem as ações navais que se desenrolaram tão somente fruto de inspiração momentânea e do destemor daqueles heróis. Ao citar Rui Barbosa, que dizia que "Esquadras não se improvisam!", faz-se mister refletir que Riachuelo foi consequência do esforço de preparação de uma Marinha que, desde os seus primórdios, destacou-se por cultivar profundo profissionalismo, mesmo nos períodos de enormes carências ou inadequações dos seus meios navais, como o que ocorreu no início daquela guerra. Uma Marinha formada e amadurecida em combates: Guerra da Independência, Campanha Cisplatina, Revolta dos Balaios, Cabanada, Revolução Farroupilha, Campanha contra Oribe e Rosas. Uma Marinha comprometida com a manutenção da soberania e integridade do país. Uma Marinha com ativa participação na formação da nacionalidade. 



Assim foi antes de Riachuelo e assim foi após, quando esteve intensamente presente nos dois conflitos mundiais do século XX. 



Assim continua sendo nos dias de hoje, atuando nas águas do Líbano, nas ruas de Porto Príncipe, na Amazônia Azul, na Antártica, nos Rios da Amazônia Verde e Pantanal e onde mais a Pátria necessitar. 



Assim será sempre, posso afiançar-lhes. Pois o patrimônio de valor e profissionalismo - o compromisso de Riachuelo - do qual nós, marinheiros do presente, somos herdeiros e guardiões, é imprescindível para um País com a envergadura que desejamos alcançar no cenário internacional. 



As momentâneas dificuldades de aprestamento podem limitar nossas pretensões, mas não inibem nossos sonhos nem diminuem a certeza dos destinos deste País-continente e de sua Armada. Não inibem o fogo sagrado e a alegria contagiante das jovens tripulações que guarnecem nossos meios navais, aeronavais e de fuzileiros navais, nem tampouco o entusiasmo maduro de seus Comandantes. 



Asseguro que nós, marinheiros, continuamos conscientes do dever de que nossos atos e aspirações não sejam nunca menores que a glória e a nobreza daqueles que nos precederam. Esta é a nossa tradição! Este é o verdadeiro sentido de comemorarmos o sesquicentenário da vitória na Batalha Naval de Riachuelo! Esta crença foi a nossa gênese; foi o sentimento que impulsionou Barroso e seus comandados e deve ser o estímulo a manter nossa motivação: Tudo pela Pátria!



Parabéns a todos!

 

Fonte:

 

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