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Morre aos 101 anos Seu Agripino, ícone da cultura local




 


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Conhecido pela sua trajetória como cururueiro, Agripino Magalhães, o “Seu Agripino”, morreu na manhã deste domingo (26). Devido a sua idade avançada, 101 anos, ele vinha apresentando problemas de saúde e faleceu em casa. O velório e sepultamento do Mestre Cururueiro seguirá as normas previstas no decreto municipal em função da pandemia de Coronavírus. O Velório está marcado para o início da tarde na capela Cristo Rei, com duração máxima de duas horas e controle de pessoas. O sepultamento deve ocorrer entre 15h e 16h no cemitério Santa Cruz.

“Eu o conheço desde que me entendo por gente, acreditei por muito tempo que ele era meu parente, pela proximidade de nossas famílias. Ele sempre sorridente, encantava e fazia festa junto com o meu pai”, disse Sebastião de Souza Brandão, amigo e parceiro de “toada”, que com lágrimas nos olhos declarou que estava preparando um siriri para tocar junto com seu parceiro. “Ele estava o tempo todo no meu pensamento, o vi tem pelo menos duas semanas, queria mostrar para ele um livro que foi escrito na Alemanha que conta a nossa história e trajetória. Também queria dizer que estava fazendo um siriri para tocar com ele, mas infelizmente recebi essa notícia. Ninguém sabe o que estou sentindo, ninguém sabe o tamanho dessa dor”, finalizou.

                O Diretor Presidente da Fundação Municipal de Cultura, Cleber de Miranda, lamenta a perda e estendeu sua fala, lembrando que essa cultura enraizada em nossa terra e seu bem maior que é o ser humano, é a marca registrada de Ladário. “O modo de fazer a viola de cocho é tombado historicamente, a arte de tocar e os envolvidos são ainda mais importantes, pois são eles que mantém vivo este legado que passa de geração em geração. Seu Agripino foi embora, mas deixou aqui bons alunos, uma grande história, um legado”, disse Cleber.

                  "São muitos os sentimentos que fluem quando sentimos uma perda como essa, mas tenho certeza que Seu Agripino está em um bom lugar nesse momento. A nossa cultura sofre muito e nos faz lembrar que é preciso continuar dando o deviddo valor as nossas raízes, aos nossos mais antigos que são tão frágeis, mas cheios de história e benfeitorias", disse o Prefeito Iranil Soares que também se comoveu com a morte do Mestre Cururueiro.

                “Nosso grande Agripino se foi, mas ele sabe que aqui nós continuamos firmes, ensinando a juventude. No alto dos meus 76 anos, sigo fazendo o que nossas famílias mais amam e construíram com muita dedicação e carinho. Meu amigo, vai em paz, pois aqui você deixou a sua marca de um homem que nunca foi preso, nunca se envolveu em brigas, íntegro, pai de família, avô e eternamente Mestre Cururueiro”, disse Seu Sebastião, que quase sem voz encerrou a entrevista.

 

 

 

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